O Novo concorrente do Facebook

O Novo concorrente do Facebook está chegando.

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Agora você vai poder ler o artigo que inspirou a criação da série “O Novo Concorrente do Facebook está chegando?”. E se você ainda não viu a série, após a leitura desse artigo, clique nos links abaixo.

Estamos bem próximos de uma grande mudança na forma com que nos comunicamos. E claro, isto tem haver com a evolução tecnológica que irá nos oferecer novos meios para criar, acessar e interagir com a informação. E esta mudança irá acontecer a partir das telas.

Observem, há quanto tempo utilizamos o mesmo formato para emitir e receber informação? Hoje, o que usamos para nos conectar é uma variação sobre as mesmas telas. Seja o onipresente smartphone, passando pelos tablets, notebooks, desktops, televisores até os grandes painéis que encontramos em aeroportos e pelas ruas das grandes cidades. Basicamente, todos estão centrados em uma mesma tecnologia, que de forma geral, chamamos de LCD.

E o que a tecnologia das telas tem haver com as redes sociais? Simplesmente, porque o formato é o que nos molda. Partindo da tese do antropólogo Edward Sapir, que determina que o idioma é a moldura da linguagem de cada povo, podemos afirmar que a tecnologia é hoje a moldura da comunicação universal. E ao mudarmos a moldura ou simplesmente nos libertarmos dela, um novo mundo se abre para a comunicação e a interação.

Os smartphones estão moldando a linguagem universal.

O antropólogo e linguista norte-americano Edward Sapir (1884-1939) elaborou uma hipótese que mostra que a língua de um determinado povo pode moldar a sua percepção de realidade. Um exemplo simples para o entendimento da teoria, está num estudo publicado em 1954 onde mostra que os integrantes de uma tribo indígena dos EUA chamada Zunhi tinham dificuldade de diferenciar a cor laranja da amarela, pelo simples fato de contar com apenas uma palavra para as duas cores. Nesta mesma linha, um outro estudo mais recente de 2007 mostrou que os russos possuem vocábulos diferentes para o azul claro e azul escuro e por isso conseguem distinguir mais rapidamente as gradações de azul do que os povos anglófonos. Mesmo sendo uma teoria controversa e por isso sem a unanimidade do meio acadêmico, sua reflexão se torna bem válida para apoiar uma avaliação sobre o impacto das tecnologias na forma com que nos comunicamos e consequentemente na formação das redes sociais.

Para embasar a aplicação da teoria de Edward Sapir, analisem os números de 2004 até 2017 e observem que o crescimento do Facebook se deu simultaneamente com o crescimento dos smartphones no mercado mundial. Coincidência ou não, o fato é que um novo dispositivo viabilizou o surgimento e o crescimento de uma rede social. E desta forma, podemos dizer que os smartphones estão moldando a linguagem universal. Um exemplo é o uso das siglas e abreviações, que muitos chamam de sinal de modernidade, porém na realidade, é o resultado dos limites das telas atuais.

SMARTPHONES x FACEBOOK

Mas nos próximos três anos entraremos em uma fase de transição tecnológica, que irá gerar um alerta para todas as empresas de comunicação e tecnologia, com destaque para os líderes Facebook e Google. Afinal, são nestes momentos de disrupção que novos mercados aparecem e com eles novos players surgem com grande velocidade conquistando atenção das pessoas e consumidores.

E o fenômeno do surgimento de novos dispositivos está próximo de acontecer nos próximos anos com a propagação de novas tecnologias que irão surgir com a disseminação da IOT (Internet Of Things) que será impulsionada a partir da evolução e da solução em algumas matrizes tecnológicas como os processadores, as conexões, a gestão de grandes volumes de dados e as novas telas.

Como o próprio nome diz, a Internet das Coisas tem como proposta básica conectar as “coisas” através da internet. E para isso, o formato atual das telas não será suficiente, pois não conseguirá se adequar ao formato de todas as “coisas”. Desta forma, já observamos o surgimento e o desenvolvimento de novas tecnologias para se interagir, criar e acessar a informação, que irão oferecer um novo cenário bem dinâmico e cheio de oportunidades na comunicação.

E para os pragmáticos e conservadores, é importante destacar que a cada dia as novas tecnologias se tornam mais intuitivas e orgânicas, fazendo com que o tempo de adoção para um novo formato seja cada vez menor. Por isso, nos próximos anos, poderemos esperar grandes mudanças acontecendo em pequenos espaços de tempo.

E uma aposta certa é acreditar que a IOT irá ampliar as mudanças nos meios de interação, criação e acesso à informação, fazendo com que o conceito de mobilidade seja revisto, já que os acessos estarão disponíveis onde estivermos. Ou seja, é bem provável que não precisaremos mais depender unicamente de dispositivos pessoais para estar online. Teremos diversas outras formas de nos mantermos online, nos conectando e usando de forma compartilhada diversos tipos de “telas” que estarão disponíveis pelas rotas que percorremos no dia a dia.

Podemos prever que a principal tendência seja o surgimento de diferentes tipos de “telas” que atenderão às necessidades de dispositivos específicos que farão parte do nosso cotidiano em casa ou no trabalho. Serão soluções segmentadas por mercado e ou por tipo de utilização, fazendo com que as pessoas convivam com diferentes dispositivos para interagir, criar e acessar informação. Este cenário de multiplicidade de “telas” terá um forte impacto nos modelos das redes sociais, pois irá contribuir para o surgimento de novas iniciativas, mais segmentadas e ao mesmo tempo até interligadas entre si.

E para reforçar este raciocínio, também temos os aplicativos atuais que são um potencial gerador de novas redes sociais, já que aglutinam pessoas com o mesmo interesse. Atualmente, de acordo com o EMarketer, existem cerca de 1.1 milhão de aplicativos no mercado mundial de smartphones,, sendo que cerca de 300 mil se repetem, pois estão presentes nas 3 principais plataformas móveis que são IOS, Android e Microsoft. Agora imaginem que até 2020 cada pessoa terá cerca de 4 dispositivos conectados. Ou seja, teremos algo em torno de 34 bilhões de dispositivos conectados utilizando, não apenas aplicativos tradicionais, mas plataformas e ou ecossistemas tecnológicos que irão contar com os recursos de assistentes dotados de inteligência artificial. Nomes como IBM-Watson, Siri, Cortana, Alexa, Google Now, Otto dentre outros, serão uma constante no nosso dia a dia.

O Facebook poderá se tornar uma empresa de produtos e não apenas de serviços para tentar defender seus interesses.

Por isso, que não é à toa que o Mark Zuckerberg vem mostrando para os seus acionistas, investidores e desenvolvedores, que o Facebook não está somente preocupado com a ampliação da sua base de usuários. Hoje, o Facebook possui um ecossistema formado por diversas redes sociais que já aglomeram bilhões de usuários e os seus desafios futuros estão nas novas tecnologias que envolvem conectividade, inteligência artificial e principalmente as novas “telas” para garantir, não apenas a sua expansão, mas principalmente a manutenção da base de usuários.

Mark Zuckerberg entende que para se manter líder das redes sociais é preciso se antecipar aos novos dispositivos que irão surgir, estando presente em todos ou nos principais. E ao invés de esperá-los ele planeja também lançá-los, como anunciado nas últimas apresentações, onde a sua principal aposta do momento é a realidade aumentada.

É possível imaginar que a partir da ampliação das plataformas de conectividade, alguns termos usuais do dia a dia como “telefonar” ou até a necessidade de termos um “número de celular” talvez virem coisa do passado. Desta forma, é razoável prever que um dispositivo que nasceu para a finalidade específica de “telefonar”, ou seja, viabilizar a comunicação entre duas pessoas, evoluiu para um telefone móvel que depois se transformou num telefone móvel com recursos sendo apelidado de smartphone e que acabou se transformando no principal hub das redes sociais, unindo bilhões de pessoas, possa realmente estar perto do fim do seu ciclo? Somente a existência desta pergunta já deve causar calafrios para o time do Facebook, que tem neste dispositivo a base dos seus usuários. O ponto central agora é descobrir quais novos formatos tecnológicos irão surgir e quais deles terão maior potencial para aglutinar a migração dos usuários.

Assim como o Facebook, todas as empresas relacionadas com comunicação e tecnologia também estão acompanhando as novas evoluções e cada uma, por questões estratégicas, evitam antecipar suas opiniões e seus lançamentos, para avaliarem com maior segurança quais novas plataformas terão melhor aceitação. Mas as pistas já estão espalhadas pelo mercado e a seguir juntamos algumas para ajudar na nossa reflexão.

Temos que olhar para os novos dispositivos que poderão viabilizar o surgimento das novas redes sociais.

 

1) TELAS ULTRAFINAS E ULTRA RESISTENTES

O nosso ponto de partida é a própria indústria dos smartphones. Quando avaliamos este mercado os principais nomes que aparecem são Samsung, Apple, Motorola, Nokia, LG dentre outros. Porém, sabemos que essas marcas são montadoras de dispositivos e que estão interligadas com outras grandes corporações que fornecem muitos dos seus componentes. E como estamos falando de “telas”, vale destacar um fornecedor importante desta indústria chamado CORNING. Uma indústria americana responsável por equipar nada menos do que 4,5 bilhões de dispositivos pelo mundo. Esta empresa já possui, há muito tempo, soluções de telas ultrafinas, ultraresistentes e sensíveis ao toque e ao movimento. Muitas destas soluções de telas só estão aguardando a evolução de algumas matrizes tecnológicas como a conectividade e a evolução dos processadores para expandirem suas aplicações e se viabilizarem mercadologicamente. A CORNING já possui soluções que transformam telas em “papéis de parede” que podem ser aplicadas nas mais diferentes superfícies e nos mais diferentes formatos. Vale conhecer mais sobre as ideias da CORNING neste vídeo conceito chamado A Day Made Of Glass de 2012.

 

E neste outro vídeo, é possível ver as soluções lançadas no CES-2017 com as telas que irão equipar os futuros carros híbridos e elétricos.

E junto com a evolução das telas planas, temos também a evolução das tecnologias de interação do ser humano com os novos dispositivos. Cenas como as vistas no filme Minority Report de 2002, onde o policial vivido por Tom Cruise acessa, gera e interage com a informação através de movimentos que mais parecem com uma dança ou um exercício de artes marciais, poderão se tornar realidade em pouco tempo. Aliás, boa parte dos insights das tecnologias ditas futuristas mostradas neste filme, foram estudadas por Steven Spielberg a partir de soluções que já estavam sendo utilizadas pelo Exército norte americano, mais exatamente no Pentágono.

E alguns anos depois, tanto a Google com o Project Soli quanto a Microsoft com o seu Kinect, que falaremos mais à frente, iniciaram o desenvolvimento de soluções que buscam tornar a relação entre humanos e os dispositivos, mais orgânica e ergonômica. No caso da Google, vale conhecer os conceitos do Project SOLI que deverá estar equipando os novos dispositivos da empresa, que também contarão com assistente virtual. Clique aqui e fique por dentro:Project Soli

Enfim, pode ser que estejamos bem próximos do fim das tendinites, das dores na coluna e no pescoço e principalmente da barriguinha gerada pelas longas horas que passamos sentados atrás de uma tela. Imaginem podermos juntar telas ultrafinas, sem limite de tamanho e formato, com tecnologias de interação que possibilitam que movimentos orgânicos e ergonômicos possam acessar, criar e interagir com a informação.

 

2) TELAS FLEXÍVEIS

Com a proliferação da IOT e a possibilidade de conectarmos qualquer objeto, surge a necessidade de telas que possam se adequar aos diferentes formatos e tipos de superfície. E para atender a estes objetos, já se encontram disponíveis no mercado as telas flexíveis. Empresas como a Samsung e a LG já desenvolveram soluções para telas flexíveis que poderão equipar os mais diferentes dispositivos garantindo a conectividade em qualquer ambiente. Neste vídeo da LG é possível conhecer as diversas aplicações das telas flexíveis.

 

 

3) WEARABLES

Talvez o local mais natural para realizarmos o acesso, criação e interação com a informação sejam as nossas vestimentas. E as soluções neste segmento vão muito além de apenas colocar um chip no bolso do paletó e chamá-lo de conectado. Neste segmento de vestimentas inteligentes ou também chamadas de wearables technologies, a Google mais uma vez parte na frente e se uniu com a Levi´s para criar o projeto Jacquard, que tem o objetivo de desenvolver roupas jeans conectadas. Vale conferir aqui:Jacquard

 

4) REALIDADE AUMENTADA

Esta é uma das principais apostas do momento, onde corporações como a Google, Microsoft e Facebook já demonstraram suas intenções. Incentivada a partir de demandas geradas pela indústria dos games, a realidade aumentada vem se desenvolvendo e possivelmente estará presente em diversas atividades do nosso cotidiano. Como o próprio nome diz, a realidade aumentada demanda a necessidade de um dispositivo em forma de óculos que possa estar posicionado diretamente sobre nossos olhos para gerar as imagens virtuais. As pioneiras, nesta tecnologia, foram a Microsoft e o Google. A Microsoft na busca de ampliar sua participação no mercado de games iniciou, há muitos anos atrás, um projeto que é liderado pelo brasileiro Alex Kipman. Desta iniciativa, muitas soluções interessantes foram geradas, com algumas já disponíveis no mercado. A mais popular é o Kinect e o seu recurso de leitura dos movimentos do corpo humano. Porém, engana-se quem pensa que o Kinect foi o objetivo principal do desenvolvimento deste projeto liderado por Kipman. Na realidade, o projeto inicial é o que hoje a Microsoft chama de Hololens, uma solução de realidade aumentada que também usa os recursos do Kinect. Os óculos Hololens já estão disponíveis no mercado e suas aplicações atendem desde os pesquisadores da Nasa, que precisam estudar o solo marciano em realidade aumentada até os funcionários da montadora Volvo, que utilizam os óculos para garantir o alto padrão de qualidade no processo de montagem dos seus carros. A Microsoft, diferentemente da Google, entendeu que antes de pensar em um novo dispositivo para ser lançado para as grandes massas é necessário amadurecer a tecnologia a partir de aplicações específicas onde o uso deste tipo de recurso é determinante. A qualidade de imagem dos Hololens, bem como as suas câmeras estão evoluindo rapidamente e já mostram, como dito acima, exemplos práticos de uso.

Se você ainda não conhece, confira aqui o que são Hololens.

 

Já a Google acabou apostando demais no seu Google-Glass que acabou encontrando diversas barreiras para conseguir se popularizar e desta forma, o projeto retornou para a prancheta para as devidas adequações. Não havia data de retorno, mas talvez motivado pelos anúncios do Facebook e de outros concorrentes, o seu retorno foi anunciado neste mês de julho. Porém, seguindo a estratégia da Microsoft, o novo Google Glass, chamado agora de Glass Enterprise Edition será disponibilizado exclusivamente para o uso profissional. Vale conferir os detalhes em X COMPANY: GLASS

E a realidade aumentada é a principal aposta do Facebook para os próximos cinco anos e para isso vem tentando cercar a tecnologia com o lançamento de óculos a preços baixos e de uma plataforma para turbinar as câmeras dos smartphones atuais e futuros. Na dúvida se os óculos conseguirão substituir os smartphones, o Facebook mantém apostas nos dois dispositivos para desenvolver a Realidade Aumentada. E vale destacar que os seus óculos, da marca Oculus Rift, se posicionam mais próximos dos Hololens da Microsoft do que o formato do Google Glass. Confira o modelo em OCULUS

Temos que destacar que além da Microsoft, Google e Facebook, existem atualmente mais de uma dezena de empresas que já estão anunciando ou comercializando seus óculos de realidade aumentada. São marcas que vão desde as desconhecidas Meta, Solos, Atheer, ODG até a Epson, marca tradicional de impressoras, que busca se reposicionar a partir dos novos dispositivos. Vejam que este é um mercado onde ainda não temos a presença das marcas mais tradicionais de smartphones como Samsung, LG, Apple e Motorola. Mesmo assim, podemos prever o potencial desta tecnologia e as grandes chances da realidade aumentada tornar-se uma das plataformas mais populares nos próximos anos.

Nota do autor: Vale acrescentar aqui um complemento em relação a Apple.Também neste mês de julho, uma matéria na Fast Company sugere que os novos Iphones serão equipados com um sensor de laser para melhorar a precisão na medição de profundidade. Este recurso, até um tempo atrás não compreendido, seria uma iniciativa para o desenvolvimento de aplicações de realidade aumentada. Desta forma, os Iphones estariam preparados para aplicações de Realidade Aumentada. Esta notícia se une a outro fato divulgado por uma startup chamada MIra que irá lançar um gadget para transformar o iPhone em um dispositivo para Realidade Aumentada. Seguindo o mesmo conceito do Samsung Gear VR. Vale conhecer os acessórios da Mira em clicando aqui.

 

5) HOLOGRAFIA

A evolução natural da realidade aumentada é a holografia. E até o mês de junho, quando iniciamos a série de vídeos, este artigo abordava a holografia como sendo uma solução de telas para ser viabilizada a médio prazo, talvez a partir dos próximos 5 a 10 anos. Porém, no começo de julho, a RED anunciou que estará lançando no primeiro trimestre de 2018 o primeiro celular com recursos de holografia. Para ser mais exato, a RED não chama seu dispositivo de celular ou smartphone e o nomeia como MEDIA MACHINE. Importante destacar que a RED é reconhecida pela sua capacidade de inovação e qualidade técnica de seus equipamentos e uma aposta vinda desta empresa deve ser respeitada e avaliada em detalhes. Para os early adopters a pré-compra do Hidrogen One já está disponível no site da empresa. Acesse aqui o HYDROGEN.

Veremos se a RED consegue resolver um dos problemas básicos da holografia que é a definição e nitidez de imagens sob grande volume de luminosidade. A Holografia é uma solução buscada há vários anos e de fato oferece interatividade e facilidade de comunicação. Desde os primórdios, nos filmes de ficção, a holografia sempre foi explorada como uma excelente forma de interação e comunicação. Porém o grande desafio está na obtenção de imagens em formato virtual 3D de alta definição e com cores intensas, suficientes para agradar aos nossos olhos como acontece nas telas de LCD/LED/OLED.

Como insight de uma possível solução futura, pudemos ver no filme Ghost in the Shell uma suposta tecnologia chamada Solograms (solid-holograms) que decoram as cenas que se passam em uma Hong Kong de 2029. O diretor Rupert Sanders, percebeu esta necessidade de evoluir a ideia dos hologramas e encomendou para o designer Ash Thorp, um dos responsáveis pelo trabalho, a criação de hologramas sólidos que eles batizaram de Solograms. E toda a interação dos personagens com a informação acontece a partir dessa tecnologia.

Veja aqui o conceito dos Solograms: GHOST IN THE SHELL.

Seria excelente dispor da holografia, que com certeza, é uma das formas mais naturais para que possamos acessar, criar e interagir com a informação. Afinal, ter que depender do uso de um óculos ou capacete por longos períodos é totalmente desconfortável e por isso talvez inviável para o longo prazo.

 

6) REALIDADE VIRTUAL

A realidade virtual talvez seja o último estágio (analisado com o conhecimento de hoje) de um dispositivo de comunicação e de interação, onde a tecnologia poderá de fato se fundir com o nosso organismo e iniciarmos um outro paradigma de relação com o mundo e a tecnologia. A realidade virtual também é uma grande inspiração para os filmes de ficção e suas referências podem ser vistas em filmes como Matrix, Substitutos e no próprio Ghost in the Shell onde em uma das cenas, a heroína visita uma rede social onde as pessoas estão conectadas organicamente às redes.

Por isso, é importante destacar que o que chamamos hoje de realidade virtual, na verdade está mais próximo de uma simulação virtual. As soluções atuais de “realidade virtual” trabalham apenas dois do cinco sentidos. Visão e audição, são os sentidos que conseguimos reproduzir nas simulações que temos hoje. Sensações de tato, paladar e olfato ainda precisam ser desenvolvidas para que comecemos a ter os recursos para criação de verdadeiras experiências de realidades virtuais que contemplem toda a gama sensorial do nosso organismo. E a solução das matrizes tecnológicas, como o processamento quântico e as inteligências artificiais complexas, ainda estão longe de se tornarem realidade. Nas previsões atuais, feitas por empresas como a Intel, principal responsável pelo desenvolvimento de processadores, a realidade virtual plena é uma solução que ainda demanda algumas dezenas de anos para se concretizar.

Mas enquanto isso, as aplicações e os equipamentos de simulação virtual estão se desenvolvendo rapidamente. Empresas como a Oculus, que pertence ao Facebook, a Samsung com seu VR Gear, a HTC com seu VIVE e a Sony com seu Playstation VR, são bons exemplos que já oferecem experiências sofisticadas que atendem necessidades em vários segmentos como o entretenimento, saúde, engenharia e até no marketing.

 

Nos próximos cinco anos, novos dispositivos irão mudar a forma de interação com os meios de comunicação.

Por tudo isso, olhando até 2020, não temos como dizer que o fim do ciclo dos smartphones está próximo, mas podemos prever o surgimento de novos dispositivos para acessarmos, criarmos e interagirmos com a informação. Estes novos dispositivos estarão sendo disponibilizados no mercado nos próximos anos, mudando de forma substancial a nossa relação e a forma de interação com os meios de comunicação.

Sem falar do efeito China, já que não temos informações de fácil acesso para prever o que as gigantes chinesas da tecnologia estão pensando sobre estes dispositivos. No futuro próximo é previsto que os movimentos da indústria chinesa poderão acelerar ou alterar a adesão das novas tecnologias.

E como falamos, a solução de importantes matrizes tecnológicas como a conexão que estará mais rápida e disponível, os processadores cada vez mais potentes, menores e mais baratos, as soluções para a gestão de grandes volumes de dados, as baterias com maior autonomia e a variedade de formatos de telas irão criar a onda perfeita para a inovação. E na ótica do empreendedorismo, podemos imaginar as inúmeras oportunidades de novos negócios que estamos prestes a poder desenvolver e conviver. Por isso, é determinante acompanharmos a disseminação da IOT e as evoluções dessas e de outras tecnologias de “telas” que poderão surgir no próximo período. A única certeza é que as transformações e a adoção de novos formatos tende a ser rápido e irreversível e o surgimento de novas redes sociais uma consequência natural desse processo.

Talvez muito mais do que o surgimento de um ou dois grandes concorrentes para o Facebook e o seu ecossistema, estejamos mais próximos do surgimento de diversas novas iniciativas de redes sociais segmentadas e sub-segmentadas que irão ampliar os meios de comunicação e pulverizar ainda mais as audiências.

Autor: Hamilton Mattos, sócio-diretor da HAGUA.